quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

dos rios

 a vida tanto se modifica e se esvai como a alma triste dos cadernos empoeirados
sua morte viva estampada em festa ou fábulas do garcia
olho o amarelado das folhas do que seria ontem, toda melancolia de um dia que passou como chuva numa tarde calada...
essa vida morta, todo sentir puro, imagino seu vazio, futuro, que aterrador, que monstruoso...
a tristeza das coisas ínfimas, das borboletas e efêmeras... da delicadeza arrasada sua ingenuidade um segundo antes...
e o presente, esse uma página amarelada vivendo sua alvura...
se perde, tudo se perde em meio ao vazio sem fim, logo faz parte dele...
como delicadeza triste das coisas ínfimas... as borboletas e efêmeras...
tudo isso, toda vida, algo tão ingênuo e ínfimo que faz querer anular, ir ao teto, tocar o céu em comoção depois cair cair cair... como uma formiga com vento de chuva...
a comoção é único momento que realidade se torna todo... comoção me preserva a vida...
por isso, apenas, vivo, me nego não viver... é tão maior, tão maior que o vazio... como comprar pêssegos insones ao amanhecer com lembranças de noite, e rosado manchado de luz vermelha macio de lençóis... cigarros desolados de navalha e saudades...
viver é uma morte maior...

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

"Mais dolorosa seria a tua ausência presente
Quão dolorosa é a perda prévia de alguém que
mais tarde perderia
(...)
Quão dolorosas são as conclusões."

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

dos pequenos jardins aprisionados

olhar a fora
me sinto num jardim
e um jardim atrás do jardim
e num campo infinito
com a simplicidade de sons mediterrâneos
olhar a fora
me sinto num jardim
e um jardim atrás do jardim
e num campo infinito
lampejo de banalidade e me encontro concreto
o muro vizinho
antes do jardim atrás do jardim
e o muro anterior e o próximo
lembro todos agora
e sua presença se ergue antes e entre todos os jardins
e as flores amassadas misturadas à rígida inércia exalam melancolia
muros se estendem como planos infinitos no caminho de cada ser...
e alcançam o céu

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

domingo, 3 de janeiro de 2010

Muitas histórias giram
em torno da memória
acorrentada
as lembranças de um passado.
Nem sempre aquilo lembrado
se passara na verdade
mas de verdade se vive
nos grilhões da mescla
da verdade com a imaginação
e a verdade vira fato.
E o fato vira imagem
vira influência,
Vira verdade.
Na verdade se transmite
mas de verdade ninguém vive
e a história vira
estória,
mais uma vez contada na
boca de um cantador.
Assim se engana aquele
que pensa escrever história,
pode estar escrevendo estórias,
daquelas que o povo contou.

Menina Barla

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Navegar...

porque o mundo é realmente pequeno... porque os campos não se apreendem em fotos... porque as nuvens tem realmente forma... porque o deserto é lindo... e todas as cidades são iguais... porque o homem é visivel... e o dinheiro é visivel... e o saber é visivel... e suas relações emergem palpaveis sobre toda a natureza... por tudo isso me lembro dostoi e suas estepes... vivo algo maior que eu... em um clichê não-mediocre... e as saudades, as saudades são da vida e daquilo e daqueles que são viver... saudades são desse algo maior... e aceitar ser "maior", aceitar ser um deus, aceitar viver ou qualquer coisa que se diga não é desses burgueses metidos, desses nobres arianos ou todos esses imbecis que se engendram em labirintos burocráticos que não se dizem nada... ser maior é não ser apenas si, é ser a vida, toda a vida, todo o vivo, todo o infinito da comoção nas estepes, do lorca, do ramil, do cordel, não como detentor dela, não como aquele que a estraçalha e aprisiona e manipula, mas como um pequeno que a absorve e transborda epileptico... expandir é transbordar...
esse tempo comecei a entender o pessoa... que se lê por aí, tão mítico e banal, que acaba por não significar nada ou aberrações...

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

pregos brotam como flores... brotaram, algum dia, não hoje... meu estar de passagem... meu unico estar... cheguei a noite, vou pela manhã... algum dia, não hoje... meu unico, não há voltar ou ir... apenas cheguei a noite, saio pela manhã... hoje, algum dia, vão saber que alguem veio... não há nada além, não há solo ou lugar... a realidade é infima... flores brotarão como pregos... brotam, algum dia...