velhas... como os postes... as sementes do mal... os comedores de folhas......... como as crianças da lavadeira abandonada os porcos voam...
sábado, 14 de fevereiro de 2009
XIII - Buda
me anulo...
primeiro a dormência... então o corpo findo
e a derme absorve o concreto do tempo
me exilo do tempo... nulo
e isso como em jogos de vidro...
como a seriedade do vero em bolas de gude
seriedade de permanecer em exílio...
de beber o vero... bolas coloridas
cores...
e a derme, carregada pelo tempo que lhe encharca
não será minha ou eu, será dela mesma
ela mesma e seu jeans...
eu, totalmente nu
mudo assim que for esquecido
...
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
XII - Ateu
enquanto me consumo
rápido, certo
como a sagacidade cruel de um pensamento ao meio dia
alto, frenético, entorpecido
em meu corpo imolado a euforia flamável vibra... e minhas cinzas se elevam calmamente
fui eu...
o fogo
fui eu, o fósforo...
e o liquido quente que escorria...
fui...
agora calmamente, meu bem
já não acredito em mim mesmo ou no sol
cinza, minúsculo
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
XI - Fauno
“Lucio” a mim como se dançasse, “contame teu desejo de não ser” e foi como brincadeiras de sátiro. E ecoou... “contame”, “contame teu desejo de não ser”, “contame teu desejo”. Olhei abaixo, olhei o sol reflexo... “sinto frio” enquanto esboçava um sorriso triste. Olhou abaixo, olhou a mim... “vaite embora” a mim como sussurro, “não foi o que pedi” e isso se tornando distante.
Ando... até tal momento onde ocorre de inexato tua aparição. Ainda hoje prefiro não pensar que foi causa que planejasse toda a cena... ou mais certo seria eu.
sexta-feira, 25 de julho de 2008
X - O ermitão
A noite encontrei com lobos e lagartos. Sinto uma simpatia pelo seu estado. Sinto – minto – imagino sua realidade, espreito suas ações. Ainda pulsa em meu sangue as palavras que fazem deles meus irmãos e, apesar de quebrado o elo, não somos tão diferentes, inconscientes formamos o mesmo organismo. Busco este elo, ambiciono pelos olhos dos deuses e titãs... preciso me livrar dos números. Fim de noite, não comi... me intriga dialogar com lagartos.
No amanhecer senti o orvalho. Com o ar úmido sinto meus pulmões. Planejo sentir tudo quanto possível, planejo inspirar o inominável e expirar seu vapor. Forma de analisar e perceber a qual me renegou minha má educação por não poder ser escrito ou descrito. Enquanto isso me habituo com o relógio desfeito, aguardo o musgo crescer em minhas costas e me tornar um bixo-preguiça... imagino-me, adiante, como autônomo. Autônomo não-robótico, não alienado de si mesmo, mas plenamente ciente de si e do seu redor, num dizer calado e intenso com tudo e com todos... imagino-me como célula do meu corpo desejando sentir-me todo.
Meio-dia, vejo um campo de flores. Sinto ainda muitos traços de minha educação... receio que acabe por transformar minha busca em fuga, talvez tenha medo... por um segundo tudo pode ser – e parece ser – ilusório. Talvez não consiga ou não saiba abrir as portas do tártaro, talvez a besta (um objeto de minha busca) esteja fadada a sussurrar acorrentada no limbo da minha mente... irei ao campo de flores, a luz de suas cores me atraem.
quinta-feira, 10 de abril de 2008
IX - O fotógrafo
Guardo em mim todas as coisas. O fluxo de tinta em minha pele, restos mortos de algodão, um anel (dois na verdade).Guardo, são coisas vãs, inúteis... sobretudo ausência. As coloco longe da poeira e da ferrugem. A imagem, as coisas, quando o mundo inteiro se deteriorar as terei guardadas, vazias, inutilizadas, imersas na sua expressão plena de humanidade. Quando o mundo se deteriorar... sim, não falta muito tempo. Eu terei meu museu de almas... terei, também, a certeza de que fiquei louco, vou achar a sanidade exposta, sua imagem, presente em sua ausência.
Guardo de todas as coisas o vão, faço em mim a sua casa, guardo a sua ausência até a noite chegar e o tempo parar, então estarei morto. Liberto do que se diz corpo estarei presente em todo lugar, presente na ausência com que construí minha casa.
VIII - Terminal
consumidos, reduzidos a pó
barro das tintas que pintam minha face
grafite das linhas da madrugada
sombra do meio fio, navalha cega
estão se quebrando, sinto...
dentro de meus olhos, um pouco mais fundo
meus devaneios, meus mundos de cem gramas
em contrabalança
um mundo de toneladas
pesado demais pra mim
tua ausência
pesada demais
insustentável...
ainda lembro como ela era boa no primeiro inverno
ainda lembro do frio que fazia lá
como era doce a falta de ti
falta que trazia horas surreais
milhares de fatos não ocorridos...
hoje esqueço meu rosto
pouco a pouco
durmo...
sexta-feira, 26 de outubro de 2007
VII - Inerte (ou A semente)
fui árvore, fruto
agora morto me calo
e ao chão viro parte
e não há sangue,
seiva pra que estanque
pra que manche
aglutine na areia
pra que corra na veia
dormente, se ainda as tenho.
Durmo, dorme o mundo
percebo a mim não percebendo
o mundo
transcendo, espóro
sou agora, imaginário e vejo
de lá, imaginário
olho-me seco a ver-me
no espelho, ver-me
seco
E volto a mim mesmo
de onde não saio por estar
sedado de falta
de sangue, seiva, pra que
estanque, corra, ande
na veia de árvore, mas
sou semente, latente
e esqueço, na verdade
nem penso, no espelho
só penso acima de além
do espelho
canto onde não estou
semente, latente, inerte
imaginar apenas não é estar (ou é)
e se não é como pensar?
se sementes se pensa
em cantos onde não estão.
segunda-feira, 15 de outubro de 2007
VI – O Juiz
Mas vá... vá que já está tarde. E não quero, eu, atrapalhar a educação de suas condutas com pensamentos sobre coisas pequenas como pedras. Imagine só se todos parássemos pra divagar sem limites... seria uma falta de ordem não é verdade?
domingo, 19 de agosto de 2007
V - Chuva II (ou A criança da Chuva)
Arranque à força, à ferro
Corre, escorre, carrega contigo
Molhe, debulhe na água da chuva
ingenuo pedido, uma súplica muda
e cortam os olhos as gotas
as facas da chuva que berram
que batem com força na polpa dos olhos
e molham o transtorno com gotas de chuva
e é muda a batida surda no chão
A boca calada, tremida, molhada, lavada
transborda e prossegue e entorna o copo
que vai pelo ralo e torna ao mar
e toma a forma de gotas redondas
que nuvens de luto irão derramar
no percurso cinzento que sombreia o dia
Tu choras porque, oh menina da chuva?
Eu vejo esse pranto os meus olhos banhar
teus olhos de gato, grandes, escuros
refletem o muro de luto, de nuvem
o muro de águas que hão de passar
Não chores menina, não chores a chuva
a chuva por si não dói nem aperta
corre, escorre, lava, carrega
as dores de olhos de gato pro mar.
segunda-feira, 13 de agosto de 2007
IV - O musico dos ventos
Guardo as palavras
Intactas
Sopram de minha mente
Latente
Sussurram entre grades e árvores
estáticas, movimento
Penetram pelas brechas
janelas semi-abertas
ouvidos inconscientes
Escutam o sussurro mudo do silêncio
do vento
Por entre a rigidez absoluta
do concreto, da ação do tempo
dança em valsa a melodia
que rodopia, gira, sopra
Por entre janelas silenciosas
por entre prédios e monumentos
que cantam no mesmo tom de silêncio
e guardam as palavras
eternamente intactas
trocadas pela perfeita expressão
contida em tantos ruídos de silêncio.
quarta-feira, 4 de julho de 2007
III - O contador de contos
tardes longas sem fim
o amarelo, o laranja
o vermelho do pomar
hão de ser cores de mim
nesse momento de dormência
latência, calma, paz
de tardes laranja sem fim
que mancha a tela
corpo, carne do meu desejo
fresta aberta na mente
reflexo dos olhos de criança
que hei de fazer meus
para tirar do negro, cinza
as mais ternas cores
a mais sublime fantasia
e mentir ao mundo minha dor
toda vez que o sol chegar
no meu rosto o laranja, o vermelho
mentirei ao mundo minhas tardes sem fim
pra que se torne verdade
que ao menos pareça ser verdade
que em vida fui feliz...
terça-feira, 12 de junho de 2007
II - Insone
Passam as horas
passam lentas e corridas as horas
passam os pássaros
flertes com a noite debaixo da chuva
passam as penas... correm
com fumaça fluida de borracha
que cantam os pássaros na pressa
que cantam, racham, correm
os carros, e morrem em plena madrugada
a espera de uma calma
frenética quebra, cinética dispara
e vaza incondicionalmente fluida
talvez água, ou nada...
Enquanto isso a chuva
se perde em nada a chuva
se perde em olhos, meus e outros
que repicam, suspiram, param
em meio ao trafego intenso
ao trafego intenso de nada em meio
a madrugada, infames números
dígitos, signos... infames...
de relance se olham se param
reparam e dormem...
como contos do Garcia
destinados a eterna gloria úmida
triste... sublime...
de só existirem em sonhos de conto
domingo, 10 de junho de 2007
I - A estrela
arder em fogo e cinza
arder aos olhos que brilham
reflexo rubro da chama
arder e dissolver na noite
luz, calor, queimadura
mestiço de luz e sombra
cinza
Morrer em cinza
e em cinza soprar
poeira, descanço, fim
sem volta de fenix, pó
e o vento soprará a particula
se dissipará a mente
e ao nada-tudo volta
Assim seguirá o meu destino
como fogo simples comum
começa, arde e extingue