o homem se reduz em sua casa até o ponto em que se domestica
se reduz até encolher numa pequenez as coisas no caber de dizer de seu
reduz a abstração a pequenos objetos
então cessa de viver, por não caber a vida à vida que entalhou delicadamente
o homem em sua natureza é como um lobo... como a abstração de um lobo...
como a abstração de qualquer animal ou coisa
um vaguear em sentidos, se quedar osmótico na estepe, se quedar num perceber absolutamente abstrato de um ciclo de eletrochoques transcendentes as dimensões da vista, na infinitude do que não se cabe a contagem e, por isso, não se faz em extensão inimaginável
o homem domestica a abstração à concretude parametizável
precisam caber como fichas nos seus sulcos entalhados, precisam ser entalhadas, também, as coisas, forjadas em fichas, depositadas como hóstias na boca dos sulcos, rangendo e tintilando, iniciando o mecanismo dos brinquedos, dos refrigerantes
mas o homem em sua natureza é como o lobo, como a explosão shamãnica de adentrar um lobo pelos olhos
incapaz de se conter na pequenez de caber dizer um si
incompreensível à extensão de objetos, de pequenos objetos
incomprimível...
e a exaltação se fez como brilhasse uma luz, e reluziu na insanidade de alguns, dos seus, como divino, o lumiar incandescido de uma face transfigurada em restos, desvencilhada do que aprisionava desde os dedos dos pés e o ventre e agora voa ou talvez apenas finda.
velhas... como os postes... as sementes do mal... os comedores de folhas......... como as crianças da lavadeira abandonada os porcos voam...
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sexta-feira, 19 de novembro de 2010
domingo, 10 de outubro de 2010
dos postes onde nada habita
vou pintar minhas paredes de azul
trazer uma noite azul esfumaçada ao meu quarto
manchar os dedos a cara impregnar de pingos
e então secar... e então pó a se dissolver no tempo
não pode me pintar não pode me por cores
minhas paredes ruínas onde ninguém habita onde não habito
minhas paredes o fantasma ucraniano onde não vagueio...
onde te encontra fauno? onde te pusesse de mim?
a erva começa a cheirar no campo? não sinto
que é esta estação?
vou pintar de azul, esfumaçado, onde habita ouriço
para que ele habite, para que habite novamente
e que venha o fauno e comece a cheirar à erva
vivo entre as ruínas escorrendo entre as ruínas
onde deus se faz aos infelizes os seus enganos
e ergue os muros de seus desejos e as necessidades de clausura
e sufocam clausura
paredes de azul... esfumaçado como não fosse novo como fosse desabado, mas não vai ser...
quero me esgueirar na ferrugem nos tijolos cobertos de lodo na erva que começa a cheirar
com a alegria de sentir o ser
com a alegria de voltar
com o ar que invade e arde doce
stalker
trazer uma noite azul esfumaçada ao meu quarto
manchar os dedos a cara impregnar de pingos
e então secar... e então pó a se dissolver no tempo
não pode me pintar não pode me por cores
minhas paredes ruínas onde ninguém habita onde não habito
minhas paredes o fantasma ucraniano onde não vagueio...
onde te encontra fauno? onde te pusesse de mim?
a erva começa a cheirar no campo? não sinto
que é esta estação?
vou pintar de azul, esfumaçado, onde habita ouriço
para que ele habite, para que habite novamente
e que venha o fauno e comece a cheirar à erva
vivo entre as ruínas escorrendo entre as ruínas
onde deus se faz aos infelizes os seus enganos
e ergue os muros de seus desejos e as necessidades de clausura
e sufocam clausura
paredes de azul... esfumaçado como não fosse novo como fosse desabado, mas não vai ser...
quero me esgueirar na ferrugem nos tijolos cobertos de lodo na erva que começa a cheirar
com a alegria de sentir o ser
com a alegria de voltar
com o ar que invade e arde doce
stalker
terça-feira, 17 de agosto de 2010
bichos da seda
de um devaneio noturno o teto desaba em chuva
algum ser que me povoa aflora em pequenas erupções
“pelos chifres deve ser um fauno”, diz algum ser
silêncio... digo àlgum ser, em pequenas erupções
“começa cheirar a musgo”, diz algum ser
me viro... digo àlgum ser, tomando atenção ao cheiro da sala
o teto desaba em chuva, um devaneio toca os pingos em melodias fantásticas
é noite do meu amor... assim como foi o dia e será de madrugada
é noite da estrela que me levou, lhe ofereço meu sangue frio e meu corpo inerte
“ele chegou, anda quase cego”, diz algum ser, como uma mácula às minhas costas
vejo sua face e as lagartas que lhe comem o tronco dependuradas em casulos
os pingos tocam os fios de seda em acordes azuis, a cor da sala se dissolve no chão
vejo sua face e o que ela me revela, em pequenas erupções
é noite, uma renda vermelha presa a liga, meu gozo escorre misturado a sons doces em coxas brancas, insípido... some
me viro, tomando atenção ao cheiro da sala, um gato que vomita as cadeiras da mesa de jantar
meu corpo inala um gosto podre e azedo
silêncio... e os olhos vermelhos de insônia, quase cegos, não me reconheço
enquanto a chuva ascende à cal do teto
cristalizando em manchas de mofo
algum ser que me povoa aflora em pequenas erupções
“pelos chifres deve ser um fauno”, diz algum ser
silêncio... digo àlgum ser, em pequenas erupções
“começa cheirar a musgo”, diz algum ser
me viro... digo àlgum ser, tomando atenção ao cheiro da sala
o teto desaba em chuva, um devaneio toca os pingos em melodias fantásticas
é noite do meu amor... assim como foi o dia e será de madrugada
é noite da estrela que me levou, lhe ofereço meu sangue frio e meu corpo inerte
“ele chegou, anda quase cego”, diz algum ser, como uma mácula às minhas costas
vejo sua face e as lagartas que lhe comem o tronco dependuradas em casulos
os pingos tocam os fios de seda em acordes azuis, a cor da sala se dissolve no chão
vejo sua face e o que ela me revela, em pequenas erupções
é noite, uma renda vermelha presa a liga, meu gozo escorre misturado a sons doces em coxas brancas, insípido... some
me viro, tomando atenção ao cheiro da sala, um gato que vomita as cadeiras da mesa de jantar
meu corpo inala um gosto podre e azedo
silêncio... e os olhos vermelhos de insônia, quase cegos, não me reconheço
enquanto a chuva ascende à cal do teto
cristalizando em manchas de mofo
terça-feira, 29 de junho de 2010
amarrei o cachecol apertado no pescoço... contundia a minha pele, gritava algo audível, rouco, tudo é afônico quando se tem espasmos... não percebi que me matava... não queria que me matasse... mas era tudo afônico... tomei cuidado para não deixar restos que viessem a apodrecer... tudo deve se decompor em pequenos grãos, sem apodrecer, sem gritar, afônico, contundido... aquele outro se aproveita da minha fraqueza, da minha miséria... aquele outro... me emputece... escolheu me irritar, me debati, dei-lhe socos... choques que quebram o silêncio aos poucos... escolheu algo macio... e me matei com o cachecol... deixando o sangue fluir... e me impedir de me decompor... em pequenos grãos... como todas as outras vezes...
só a enxaqueca me lembra de meus atos... ela passa, eu passo, tudo se vai a dormir... aquele outro, só me deixa ser dormindo... durmo... me esqueço... faz frio, não sinto meus dedos... teatro... não vão me ver porque durmo... que se fodam...
ele sabe que o sono vai me imergir no meu amor...
só a enxaqueca me lembra de meus atos... ela passa, eu passo, tudo se vai a dormir... aquele outro, só me deixa ser dormindo... durmo... me esqueço... faz frio, não sinto meus dedos... teatro... não vão me ver porque durmo... que se fodam...
ele sabe que o sono vai me imergir no meu amor...
sexta-feira, 25 de junho de 2010
estrada do engenho
a idéia permeou-me a mente
com todos os ruídos, com toda a música
com todas as pedras que balançam por sob as rodas
tu, que era nada, poesia
tu, era nada, era bela, qual em caracóis e rastros doces...
te arrastava, te jogava, te erguia, fluida, inconsciente
tu era imagem, tu que não existe...
teu nome, pouco me cabe... mas me cabe o dia
não tu, imagem, não tu, cheiro doce a gozo que subverte o meu domínio
mas idéia, tu que é todo abstrato, que não existe, tu idéia...
que me subverte da fala
que minha boca não é por si a fala, que é sentir, lamber, comer... não a ti... tu que não existe, que existisse não seria nada... tu é imagem, película, poesia... e vejo...
por todas as ruas das pedras que balançam...
o raciocínio faz do ser um monstro
com todos os ruídos, com toda a música
com todas as pedras que balançam por sob as rodas
tu, que era nada, poesia
tu, era nada, era bela, qual em caracóis e rastros doces...
te arrastava, te jogava, te erguia, fluida, inconsciente
tu era imagem, tu que não existe...
teu nome, pouco me cabe... mas me cabe o dia
não tu, imagem, não tu, cheiro doce a gozo que subverte o meu domínio
mas idéia, tu que é todo abstrato, que não existe, tu idéia...
que me subverte da fala
que minha boca não é por si a fala, que é sentir, lamber, comer... não a ti... tu que não existe, que existisse não seria nada... tu é imagem, película, poesia... e vejo...
por todas as ruas das pedras que balançam...
o raciocínio faz do ser um monstro
segunda-feira, 29 de março de 2010
demônio do leite azedo
perguntei ao meu criado esta tarde que sentia... este tolo insolente que suspende meu corpo em um andor... “sinto-me mal com demasiada freqüência para sentir-me bem” me retruca “se o agrada, sinto-me mal definitivamente”... oras mas que manifestação a me por em estado de nervos... chamei-o bacilo! isto que ele é! um bacilo insolente... em outra hora lhe pergunto... que seria a causa essa de sua agonia? “pois sinto dores nas costas... e minha bile se põe como um inferno a cada meia hora” me retruca “o senhor, pois, tem estado a se revirar durante as caminhadas... deve ser o cheiro acre da cidade”... mas isso também a me por em estado de nervos... pois é um vadio! um Judas que tenta me subverter a dar-lhe folgas e regalias! Já não basta os subsídios que tem, a estada no chalé onde nem ele ou a família tem expensas além do que comem... age como um rato... de noite corre até a beira do pântano com seus fumos a cultivar um demônio nas narinas... e chora, cai como criança as margens do lodo imundo, já o vi, penso que pragueja com seu pranto a tudo, deve ser ateu inclusive... o pergunto no outro dia que fazia lá “são meus entes que me chamam” retruca “aqueles que me trouxeram ao mundo e outros desde seu esquecimento”... esse índio, esse criado que eu tenho... sua pele é suja como lama... parece branco, mas não me engana, há imundice metida nos seus pelos... esse criado... esse que eu tenho... é um algoz... letrado e escriba, vive a rabiscar quando não lhe repreendo... é odioso, vejo em seus olhos... é daqueles que nasceu junto com os bezerros e saiu de lá... ainda tem na memória como se mata um boi... vai me encontrar dormindo na cadeira de balanço e me matar enquanto durmo... fazer magia com meu sangue... meu criado... esse que eu tenho... ao fim do ano compro um carro a motor... mando matá-lo logo após em um domingo de missa... quando for curar sua lascívia... antes que me jogue numa vala... esse... esse que carrega meu andor... com seus olhos de perfídia...
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