tempo escorre
meses de chuva, lodo
fica impregnado na parede
ignorado, ele e tudo mais
a realidade em transe
irrealidade banal
escorre o lodo em desenhos de acaso
um mundo, um mendigo, um deus
flores, faunos...
amplamente, coletivamente ignorados
o tempo escorre pelos bueiros
a chuva em pasta viva
se perde na objetividade do concreto
máquinas... o ocupam rotineiramente
eu, nem máquina, nem lodo, nem nada...
que as luzes do metrô me ofusquem a vista...
velhas... como os postes... as sementes do mal... os comedores de folhas......... como as crianças da lavadeira abandonada os porcos voam...
sábado, 23 de maio de 2009
domingo, 26 de abril de 2009
Cinzas de canela
o sol brilha e seu brilho lacera
eu, enquanto corpo pulsante, me solidifico
eu, enquanto calor pulsante, me intensifico
e então o corpo, mais ferro, cimento
e então o calor, mais diesel e gasolina
pedidos, demandas, fome
imperativos
alimente seu ser ativo, diz
agressivo, dominante
tenha sentido!, diz
militante
milite
...
eu, enquanto ausência indefinida, paraliso
e então a incerteza e o indesejo
de ferrocimentodieselgasolina
e de qualquer outra comida
em choque com o sangue bruto ou sublime
coagula...
consigo ver tudo (quase tudo)
consigo dizer tudo (quase tudo)
pouco ou nada faz sentido...
a ação é bruta
a palavra é bruta
e isso também do parado e silêncio...
recuso... recuso tudo
me projeto o caos
e projeções não existem
e existe
e existo
não posso inexistir
não quero
e o quero
mas não quero, enfim
e que faço, meu amor, me diz?
faço isso
termina o papel
cesso...
eu, enquanto corpo pulsante, me solidifico
eu, enquanto calor pulsante, me intensifico
e então o corpo, mais ferro, cimento
e então o calor, mais diesel e gasolina
pedidos, demandas, fome
imperativos
alimente seu ser ativo, diz
agressivo, dominante
tenha sentido!, diz
militante
milite
...
eu, enquanto ausência indefinida, paraliso
e então a incerteza e o indesejo
de ferrocimentodieselgasolina
e de qualquer outra comida
em choque com o sangue bruto ou sublime
coagula...
consigo ver tudo (quase tudo)
consigo dizer tudo (quase tudo)
pouco ou nada faz sentido...
a ação é bruta
a palavra é bruta
e isso também do parado e silêncio...
recuso... recuso tudo
me projeto o caos
e projeções não existem
e existe
e existo
não posso inexistir
não quero
e o quero
mas não quero, enfim
e que faço, meu amor, me diz?
faço isso
termina o papel
cesso...
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Questões de amor e ódio...
"Pato (http://bolotosco.blogspot.com) diz:
posterioris são pasteis
(nossa! mais uma frase de efeito! devia anotar...)
c diz:
hahahahaahahhaha
anota, anota!
Pato (http://bolotosco.blogspot.com) diz:
rs
colocar em um canto de destaque..."
Obviamente a parte "canto de destaque" foi uma mentira social pro ego do blog em questão...
posterioris são pasteis
(nossa! mais uma frase de efeito! devia anotar...)
c diz:
hahahahaahahhaha
anota, anota!
Pato (http://bolotosco.blogspot.com) diz:
rs
colocar em um canto de destaque..."
Obviamente a parte "canto de destaque" foi uma mentira social pro ego do blog em questão...
domingo, 19 de abril de 2009
Stardust II
sinto todos os pedaços que me faltam
em sua presença imaterial, em sua essência
sinto, pedaços me faltam
eu imaterial, névoa...
eu, névoa
dissipo ao movimento violento dos objetos
rodopiam as moléculas bêbadas no ar
eu, objeto
insigne, indistinto, insublime
movimento violento dos objetos
rodopio, moléculas bêbadas no ar...
cintilante, cacos de vidro
hão de retalhar suavemente meu eu indistinto ou perder-se no ar
mas que retalhem, que abram vales e impregnem
e eu, imaterial, objeto
me aproxime dos pedaços que me faltam
e então a flor da pele, nua de epiderme
cheio de gotículas de sangue, azuis
e suje sua pureza imaterial
com o doce dos cacos impregnados
como manchas de amora
como manchas...
lilás
em sua presença imaterial, em sua essência
sinto, pedaços me faltam
eu imaterial, névoa...
eu, névoa
dissipo ao movimento violento dos objetos
rodopiam as moléculas bêbadas no ar
eu, objeto
insigne, indistinto, insublime
movimento violento dos objetos
rodopio, moléculas bêbadas no ar...
cintilante, cacos de vidro
hão de retalhar suavemente meu eu indistinto ou perder-se no ar
mas que retalhem, que abram vales e impregnem
e eu, imaterial, objeto
me aproxime dos pedaços que me faltam
e então a flor da pele, nua de epiderme
cheio de gotículas de sangue, azuis
e suje sua pureza imaterial
com o doce dos cacos impregnados
como manchas de amora
como manchas...
lilás
sábado, 21 de março de 2009
Stardust
Fragmentos dispersos...
queria, eu, me esfacelar
montes de pedaços de mim
assim, decerto, desvendados
e então sincero
me perderia na pouca atenção dos dias
e então chegasse, eu, ao estado de grão
pólen
do vento tomaria parte
imperceptível, invisível
na pouca atenção dos dias
e então voar a tantos cantos
e enevoado pousar em cortinas manchadas de luz
então vivo, pólen, fértil
decerto que irias me sentir...
completo, um universo feito em poeira
queria, eu, me esfacelar
montes de pedaços de mim
assim, decerto, desvendados
e então sincero
me perderia na pouca atenção dos dias
e então chegasse, eu, ao estado de grão
pólen
do vento tomaria parte
imperceptível, invisível
na pouca atenção dos dias
e então voar a tantos cantos
e enevoado pousar em cortinas manchadas de luz
então vivo, pólen, fértil
decerto que irias me sentir...
completo, um universo feito em poeira
domingo, 15 de março de 2009
Banalidades sobre o ar
Tem certa coisa curiosa no ar
certo brilho
certo gosto
perfume
inspira e queima
aquece, avermelha
enjilha como papel na chama
então solta, fuligem
e se escuta:
“é tua vida que vai, amigo”...
então no centro
sinto a fuligem densa e ela me torna pesado
e a mim com uma sinceridade inesperada digo:
“não faço questão de tantas vidas assim”...
cretino...
certo brilho
certo gosto
perfume
inspira e queima
aquece, avermelha
enjilha como papel na chama
então solta, fuligem
e se escuta:
“é tua vida que vai, amigo”...
então no centro
sinto a fuligem densa e ela me torna pesado
e a mim com uma sinceridade inesperada digo:
“não faço questão de tantas vidas assim”...
cretino...
sábado, 14 de fevereiro de 2009
XIII - Buda
Findo...
me anulo...
primeiro a dormência... então o corpo findo
e a derme absorve o concreto do tempo
me exilo do tempo... nulo
e isso como em jogos de vidro...
como a seriedade do vero em bolas de gude
seriedade de permanecer em exílio...
de beber o vero... bolas coloridas
cores...
e a derme, carregada pelo tempo que lhe encharca
não será minha ou eu, será dela mesma
ela mesma e seu jeans...
eu, totalmente nu
mudo assim que for esquecido
...
me anulo...
primeiro a dormência... então o corpo findo
e a derme absorve o concreto do tempo
me exilo do tempo... nulo
e isso como em jogos de vidro...
como a seriedade do vero em bolas de gude
seriedade de permanecer em exílio...
de beber o vero... bolas coloridas
cores...
e a derme, carregada pelo tempo que lhe encharca
não será minha ou eu, será dela mesma
ela mesma e seu jeans...
eu, totalmente nu
mudo assim que for esquecido
...
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