quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Dos dias e ao Sol

Passa... como...
passa o tempo, quero o chão
passa o vento, quero ser o vento
passo eu, em frente ao espelho
não me vejo
enquanto chove, chovo eu
e a chuva que escorre
desce pela minha face
não me toca
a TV não me ouve no domingo
arranjos modernos
refletem a luz que não vejo
é noite de sois fluorescentes
é noite do calor que lhes falta
de dia o sol urtica, queima
no dia do sol fluorescente
é ele que me faz dormir
me trazendo o sono
e o adormecer e despertar
meus minutos de vida
meu caro mensageiro desprezado

Dolphins and Cybeorganics

Stop!
The future
waiting you, the future
waiting, you are,
the power, you don’t
want, you want me
the future, the power
want future, you
want power to rape the future
drink the power
kiss the bottle, the power, the staff
Johnnie Walker’s fucking in your mouth

sábado, 29 de dezembro de 2007

Dos Americanos em seus seriados policiais (ou “Um convite ao anarquismo não estudado”).

Agora é madrugada de fim de ano... na TV um seriado sobre paladinos da justiça. Fim do mistério elucidado o reflexo da imagem do ideal: venda nos olhos, espada e balança, “no mercy to you” é o que se diz. Assassinato passional sem culpa, mito de Electra e Édipo, irmãos de sina (irmãos no caso). Acusados pré-fabricados, falta a agonia, o desespero, o trauma ou qualquer sinal de alma (aparecem todos plastificados, choro com retoques de blush não muito sensibilizante pra não dar trabalho de pensar ou de mudar de canal), assassinos com alma não dão sensação de justiça plena, não geram tanto prazer no descer da espada. Tudo fixado entre certo e errado, entre o conivente, o inocente e o culpado, mocinhos ganham no final. Apontados em público pelos corpos que carregam, medidos e pesados com a superficialidade objetiva da epiderme baleada. Condenados a forca em praça pública junto com a mediocridade de seus personagens, a morte numa cela sem debate, não há reflexão, não pensam o juiz, advogados, júri nos corpos que levam eles mesmos por seus julgamentos, seus padrões, suas normas e morais, seu dinheiro... sobretudo não pensam (devem aplicar, questionar é reservado a idealistas, teoristas e qualquer outros que não devam ser ouvidos).

No regime da cruz, defendem a cruz. Dalla croce, alla croce, per la croce (e tendo a cruz como valor absoluto), socialismo no molde nazista disfarçado, moralismo que data do Éden. Sobra apenas o pedaço rijo de madeira que, como uma corda de morte, precisa de um cadáver a ser exposto, precisa de um Judas, um lúcifer, um criminoso pra fazermos pagar nossos pecados, pra afirmar com a morte o instrumento da morte. Sem cruzamentos ficam dois tacos rijos e os pregos... “no mercy to you”. E é assim que funciona na ótica cega da estatua de mármore, que por não enxergar vê todos por igual, tem o bem e o mal na mão e não participar nem vai além e pune igualmente porquê não há leveza na lamina de uma espada. Fim de caso...


P.S.: Nisto está presente o conceito de justiça-punição, não de dialogo, reparo ou excomunhão. Também o do uso da força, da agressão permitida para punir a agressão não permitida. Nesse justo, a correção (punição) é a extirpação de certos direitos de cidadão o que no caso é a limitação ou perda do direito de liberdade ou vida (entre outros)... somos propriedade do estado, o estado é uma instituição de nos mesmos, somos propriedade de uma instituição de nos mesmos que nos comanda, romper com o estado não é nada mais que assumir a responsabilidade sobre si mesmo, deixando de ser escravo da criatura o criador.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Auto Retrato N° 1

Engraçado o fato
sereno, calado
de eu ser sempre incógnito
agradavelmente incógnito
amigavelmente encriptado
entre o minimalismo mudo
entre a transparência do corpo
do texto, do contexto...
como farpas de conteúdo secreto
como falas em grãos de confete
enchendo o ar de cores
dores, amores, vontades
inocentemente ignorados
meticulosamente recatados
subjetos subliminares
metades, pedaços, fragmentos
por si só completos
completamente incompreensíveis
sempre pouco, pouco demais
o suficiente, a verdade, o presente
quando não basta o mínimo
quando é necessário o mimo, o excesso
o externo, signo em objeto, adjeto
pintado eu fico, em retrato
enclausurado, encaixotado
lacrado um carneiro dentro de uma caixa

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Crônica Beatnik

Inicio de noite, cigarro de palha (vou passar a comprar deles se encontrar, lembram cheiro de café pronto), uma garrafa com uma mistura etílica de ervas e mel pra três... enfim, uma noite normal nos arredores da UFPE. Caso esse em que encontrei determinado personagem (sujeito com quem já tinha trocado meia dúzia de palavras) que tinha cigarros, portanto uma boa companhia pra minha carteira vazia, começamos a conversar. Como sempre (ou quase) o primeiro assunto é a tal política, e o próprio ambiente já era propício pra isso, falamos da Reforma (a Universitária). Meus companheiros de copo, que já tinham suas cores definidas (vermelho no caso), argumentavam os impasses, enquanto o de vicio, com certa destrutividade, denunciava a dependência ideológica a analises de terceiros (vermelhos também). Eu como curioso ignorante, observava e procurava, por vezes, esclarecer a mim mesmo com pequenas objeções e colocações.

Eis que vem a primeira ruptura da noite, um impasse na sistemática da análise da questão (e a abertura da sala das maçãs assuntos mais subjetivos): como, afinal, estávamos a ver a questão? A olhar fixamente em cada ponto ou a trazer estes tais pontos todos para um universo complexo, além da teoria deles mesmos? Em algum momento, não sei qual, começou a flutuar existencialismos, niilismos, anarquismos, relativismos e afins... um monte de bolhas a se espalhar pelo ambiente. O estado de total liberdade do ser humano, a mais cruel dádiva e o caráter evolucionista de deixar de ser bicho e passar a ser gente (uma involução se relativo à estabilidade, à conceitos de perfeição), esse era o tipo de assunto. Por essas trilhas chegamos ao abismo... ao total niilismo em um caráter universal. “Qual o próximo passo? Qual a atitude lógica?” eis a pergunta. “A morte imediata”... o nirvana, o deixar de ser, ou a morte no mínimo.

E como é fantástico estar imerso na sensação do vazio, no desmotivo, na lógica auto-destrutiva do suicídio desprovido de causas passionalmente infelizes, quando se pode transformar isso em matéria de dialogo, quando se pode desconstruir filosoficamente o mundo exterior e se colocar na dádiva/maldição da liberdade... é assim como saltitar entre pedras de penhasco de mãos dadas com a loucura, que tanto é libertadora quanto alienante.

Minutos mais tarde, já noutro pólo, com o ritmo mais lento já (uma hipoglicemia talvez?), se chegava a socialização de experiências sensoriais... o de sempre, melancolias e divagações surreais. Luzes, estrelas, frenesi biológico (adrenalina e afins). Em meio a esse papo de berseker viking me veio a mente uma dessas frases soltas, essas coisinhas que Best-sellers usam pra ficarem famosos e que a Veja usa para enfiar significados outros dentro de situações especificas. “A vida é um suborno, nos corrompe a vivê-la completamente pelo prazer de ser vivida. É esse o fato, não vivemos porque nos há motivos, sim porque nos é prazeroso.”... breves comentários. Continuou-se o assunto meio nórdico até que metade do grupo se dispersasse, após isso apenas diálogos estéticos.

Fim de noite foi conversando no telhado da reitoria... sem cigarros. Ninguém morreu.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

À você doce amigo da terra distante.
Tu mereces receber todas as bençãos do Sol e da Lua!
Sentir as saudações do vento em teu ouvido: meu sussuro de saudade!
Saudade sinto de ti...
Saudade de não saber a entoação de suas palavras...

Saudade dos escritos de consolo.
Saudade do grito de esperança, que é mudo. (não escuto!)
Saudade do desconhecido...
Saudade, saudade, saudade...
Um brinde faço a ti amigo! E que um dia a terra do nunca torne-se sempre.