No escuro da noite escuto os estalos
Dos sonhos manchados, esfacelados em mil partes
Há vontade de se contrapor ao eu imperante
Escuto os estalos de pés que se movem
No silêncio da noite cuidadosamente
E acima dos pés: planaltos, planícies...
contextualizados de forma imaginativa
Querendo anciosamente um significado
para estar acordado tão tarde da noite
A procura de sombras, contornos, marcas
Os móveis estalam, a casa estala
Estão crescendo no âmbito sombrio
No escuro não podem enxergar com precisão
Não se pode juntar partes, consertar sonhos,
limpar as manchas.
Volto para a cama na espera de novo sonho
Esqueço-me do anterior
velhas... como os postes... as sementes do mal... os comedores de folhas......... como as crianças da lavadeira abandonada os porcos voam...
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
domingo, 26 de outubro de 2008
Mede in China
A luz refletia nas águas
Era a lua artificial em águas artificiais
Eram meus olhos falsos
Falsas cantigas com letras de mentira
A noite era uma farsa.
Para casa caminhei em procissão
Numa reza sem sentido.
A lua de refletor derretia o plástico
Quando dei por mim a máscara derretia
Meus olhos falsos, meus sentimentos falsos
A mudez do outro, mudez do escuro
Nada mais,
mas até o nada era triste farsa
Até o escuro. O escuro não existia
Era a sede do tempo, e esse eu não sabia
Derreto em prantos de plástico por fim
Afogo-me no calor da mentira
Minto para o tempo,
Esse que já nem sei,
Para o tempo que não existe.
Era a lua artificial em águas artificiais
Eram meus olhos falsos
Falsas cantigas com letras de mentira
A noite era uma farsa.
Para casa caminhei em procissão
Numa reza sem sentido.
A lua de refletor derretia o plástico
Quando dei por mim a máscara derretia
Meus olhos falsos, meus sentimentos falsos
A mudez do outro, mudez do escuro
Nada mais,
mas até o nada era triste farsa
Até o escuro. O escuro não existia
Era a sede do tempo, e esse eu não sabia
Derreto em prantos de plástico por fim
Afogo-me no calor da mentira
Minto para o tempo,
Esse que já nem sei,
Para o tempo que não existe.
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Cassandra
Seria essa a maldição
Prever o que não mudará
Viver a morte futura
Levando vermes na sombra
nos pés talham o encontro
Furos, dutos, vasos
Canais hemorrágicos
Memória das chamas
Da cidade dos cavalos
Seria, foi, é
Nascida Cassandra
Das árvores que lhe comeram as cinzas
Dos homens que lhe comeram os frutos
Fecunda no ventre dos bárbaros
Novos descendentes da cidade dos cavalos
Com a memória das chamas
Com os olhos miseráveis
Com os vermes que talham na carne
Um caminho que não mudará
Viva e morta, Cassandra
em 02/08/08
(Sinceros agradecimentos a Mayra Meira por ter me ajudado a obter um acaso fundamental, não pra escrever... mas pra me lembrar em boa hora)
Prever o que não mudará
Viver a morte futura
Levando vermes na sombra
nos pés talham o encontro
Furos, dutos, vasos
Canais hemorrágicos
Memória das chamas
Da cidade dos cavalos
Seria, foi, é
Nascida Cassandra
Das árvores que lhe comeram as cinzas
Dos homens que lhe comeram os frutos
Fecunda no ventre dos bárbaros
Novos descendentes da cidade dos cavalos
Com a memória das chamas
Com os olhos miseráveis
Com os vermes que talham na carne
Um caminho que não mudará
Viva e morta, Cassandra
em 02/08/08
(Sinceros agradecimentos a Mayra Meira por ter me ajudado a obter um acaso fundamental, não pra escrever... mas pra me lembrar em boa hora)
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Amanhecer enquanto espírito
Logo ao clarear o sol
caminho
enquanto a noite se faz presente pelo seu frio
enquanto é noite
frio... presente
retoma meus laços de criança
retorna... no meu contrato com o mundo
esses momentos breves da manhã
ainda mais, presente, assim me sinto
em memória, borrado de azul, alheio ao tempo
absolutamente puro, presente, alheio ao não eu, agora...
lilás, azul, um elefante...
nuvens
pássaros
luz
frio
sinto tudo
absolutamente cruel, sinto tudo
e em cada imagem que vejo, duas cores
na mais absurda dualidade que me permite dois braços
vou com o vento e fico
Minha carcaça se traduz falsa no evento do entardecer.
caminho
enquanto a noite se faz presente pelo seu frio
enquanto é noite
frio... presente
retoma meus laços de criança
retorna... no meu contrato com o mundo
esses momentos breves da manhã
ainda mais, presente, assim me sinto
em memória, borrado de azul, alheio ao tempo
absolutamente puro, presente, alheio ao não eu, agora...
lilás, azul, um elefante...
nuvens
pássaros
luz
frio
sinto tudo
absolutamente cruel, sinto tudo
e em cada imagem que vejo, duas cores
na mais absurda dualidade que me permite dois braços
vou com o vento e fico
Minha carcaça se traduz falsa no evento do entardecer.
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Sem título de fim de setembro
Tenho queda ao escorbuto
se de azedo não me faço
no mar padeço
se fora dele me apeio
não duro um ano
ganho um tanto cor-de-cinza ou tom-de-pálido
me torno breve
esqueço minhas heresias
capaz é de ao meio-dia me jogar ao chão
me enfiar por entre a terra como peixe n'água
tenho queda a verminose
se de azedo não me faço
no mar padeço
se fora dele me apeio
não duro um ano
ganho um tanto cor-de-cinza ou tom-de-pálido
me torno breve
esqueço minhas heresias
capaz é de ao meio-dia me jogar ao chão
me enfiar por entre a terra como peixe n'água
tenho queda a verminose
sábado, 16 de agosto de 2008
Licantropia
Escuro
apenas o ar e o tato, escuto
a mim, meu corpo, inane
sinto... toco a minha imagem
inane
me aproximo...
os sons ecoam com o arrastar de meu dedo sobre mim mesmo
canto disforme, acordes maculados
agudo cortante, grito
uma lasca de minério refinado, me invade...
veneno, chumbo
o correr do sangue metalizado em cinza cessa meus sentidos
sua nova essência, fria, lacera o meu sentir
dormente, me recordo de um frio...
frio outro, reconfortante
enquanto meu ser se perde na consciência do extinguir
e...
na consciência...
no extinguir...
perdido...
Não sou.
apenas o ar e o tato, escuto
a mim, meu corpo, inane
sinto... toco a minha imagem
inane
me aproximo...
os sons ecoam com o arrastar de meu dedo sobre mim mesmo
canto disforme, acordes maculados
agudo cortante, grito
uma lasca de minério refinado, me invade...
veneno, chumbo
o correr do sangue metalizado em cinza cessa meus sentidos
sua nova essência, fria, lacera o meu sentir
dormente, me recordo de um frio...
frio outro, reconfortante
enquanto meu ser se perde na consciência do extinguir
e...
na consciência...
no extinguir...
perdido...
Não sou.
sexta-feira, 25 de julho de 2008
X - O ermitão
A tarde migrei pras montanhas. Dentre galhos e cascalho mudei meu espaço, na mudança desse laço desmantelei meu mundo e com outras peças fiz onde vivo, inominável, qual o totem de um espírito ancestral. Desfeito do ambiente determinável, inominei o tempo, agora apenas uma sensação, radiação incontável tal qual o frio, tal qual o medo (e talvez mais próximo do que é, se houver um “ser” e se for um só)... ousaria dizer que me sinto infinito, estaria mentindo, ou inexistente. Fato é que me sinto, sem saber muito bem como (as vezes se assemelha a uma sombra passada).
A noite encontrei com lobos e lagartos. Sinto uma simpatia pelo seu estado. Sinto – minto – imagino sua realidade, espreito suas ações. Ainda pulsa em meu sangue as palavras que fazem deles meus irmãos e, apesar de quebrado o elo, não somos tão diferentes, inconscientes formamos o mesmo organismo. Busco este elo, ambiciono pelos olhos dos deuses e titãs... preciso me livrar dos números. Fim de noite, não comi... me intriga dialogar com lagartos.
No amanhecer senti o orvalho. Com o ar úmido sinto meus pulmões. Planejo sentir tudo quanto possível, planejo inspirar o inominável e expirar seu vapor. Forma de analisar e perceber a qual me renegou minha má educação por não poder ser escrito ou descrito. Enquanto isso me habituo com o relógio desfeito, aguardo o musgo crescer em minhas costas e me tornar um bixo-preguiça... imagino-me, adiante, como autônomo. Autônomo não-robótico, não alienado de si mesmo, mas plenamente ciente de si e do seu redor, num dizer calado e intenso com tudo e com todos... imagino-me como célula do meu corpo desejando sentir-me todo.
Meio-dia, vejo um campo de flores. Sinto ainda muitos traços de minha educação... receio que acabe por transformar minha busca em fuga, talvez tenha medo... por um segundo tudo pode ser – e parece ser – ilusório. Talvez não consiga ou não saiba abrir as portas do tártaro, talvez a besta (um objeto de minha busca) esteja fadada a sussurrar acorrentada no limbo da minha mente... irei ao campo de flores, a luz de suas cores me atraem.
A noite encontrei com lobos e lagartos. Sinto uma simpatia pelo seu estado. Sinto – minto – imagino sua realidade, espreito suas ações. Ainda pulsa em meu sangue as palavras que fazem deles meus irmãos e, apesar de quebrado o elo, não somos tão diferentes, inconscientes formamos o mesmo organismo. Busco este elo, ambiciono pelos olhos dos deuses e titãs... preciso me livrar dos números. Fim de noite, não comi... me intriga dialogar com lagartos.
No amanhecer senti o orvalho. Com o ar úmido sinto meus pulmões. Planejo sentir tudo quanto possível, planejo inspirar o inominável e expirar seu vapor. Forma de analisar e perceber a qual me renegou minha má educação por não poder ser escrito ou descrito. Enquanto isso me habituo com o relógio desfeito, aguardo o musgo crescer em minhas costas e me tornar um bixo-preguiça... imagino-me, adiante, como autônomo. Autônomo não-robótico, não alienado de si mesmo, mas plenamente ciente de si e do seu redor, num dizer calado e intenso com tudo e com todos... imagino-me como célula do meu corpo desejando sentir-me todo.
Meio-dia, vejo um campo de flores. Sinto ainda muitos traços de minha educação... receio que acabe por transformar minha busca em fuga, talvez tenha medo... por um segundo tudo pode ser – e parece ser – ilusório. Talvez não consiga ou não saiba abrir as portas do tártaro, talvez a besta (um objeto de minha busca) esteja fadada a sussurrar acorrentada no limbo da minha mente... irei ao campo de flores, a luz de suas cores me atraem.
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