segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Auto Retrato N° 1

Engraçado o fato
sereno, calado
de eu ser sempre incógnito
agradavelmente incógnito
amigavelmente encriptado
entre o minimalismo mudo
entre a transparência do corpo
do texto, do contexto...
como farpas de conteúdo secreto
como falas em grãos de confete
enchendo o ar de cores
dores, amores, vontades
inocentemente ignorados
meticulosamente recatados
subjetos subliminares
metades, pedaços, fragmentos
por si só completos
completamente incompreensíveis
sempre pouco, pouco demais
o suficiente, a verdade, o presente
quando não basta o mínimo
quando é necessário o mimo, o excesso
o externo, signo em objeto, adjeto
pintado eu fico, em retrato
enclausurado, encaixotado
lacrado um carneiro dentro de uma caixa

2 comentários:

Sophie disse...

É um auto retrato um tanto triste, eu diria. Mas no fundo é belo, de alguma forma.


Beijoo

Tulipa disse...

vim a procura de um novo escrito bem bonito,talvez se tivesse poderia saber(imaginar) um tantinho de como estas ou como tens passado..

queria falar contigo.., contar da melancolia de uma musiquinha rouca que cantava ao longe.. em meio uma madrugada estrelada de lua bem cheia.. ou do vagão que corria sozinho de uma nuvem que parecia merengue..
qualquer coisa sem importancia que faça parecer brincadeira de roda..girando girando..

acordei sem o colarsinho que tu me deu...devo ter perdido num sonho..