o frio é uma realidade das plantas e dos lagartos
os homens, eles mentem o frio
sobretudo os homens
que mentem tudo
neles é insuportável
não há das plantas e dos lagartos morte de frio
simplesmente cessam
param aos poucos e cessam
qualquer espasmo processo de cessar
dos homens, há de se chegar a verme
ao verme o parasitar a vida
em sua mais solene involução, o fim das solenidades, da morte...
ao verme a verdade, o comer os seus
que cessaram, que lhes dá como presente virar merda, que o único propósito de morrer é mentir a vida...
aos homens a mentira, o sentimento do mais sagrado
aos poetas a verminose, a hipocrisia e a arte...
os homens, eles mentem a merda
velhas... como os postes... as sementes do mal... os comedores de folhas......... como as crianças da lavadeira abandonada os porcos voam...
quarta-feira, 28 de abril de 2010
sexta-feira, 16 de abril de 2010
som de grilos e máquinas, quinta-feira
das urtigas nasce um sentimento pleno
o desprezo, o desprezível, a praga
a doce praga
nojenta
inocentemente daninha...
das urtigas que não cresçam em nenhum jardim
que não maculem a beleza de tubo-de-ensaio
a beleza construída com toda a coerência possível do capital ou do não-capital
às urtigas o esgoto ou os herbicidas...
a doce praga
inocentemente daninha
o sentimento pleno, desprezível
o ódio é a sua natureza
que cresce pelas paredes se alimentando do sangue dos tijolos...
eu, que não as sei de nada, me aproprio... a poesia é um sentimento hipócrita...
o café um sentimento miserável...
o desprezo, o desprezível, a praga
a doce praga
nojenta
inocentemente daninha...
das urtigas que não cresçam em nenhum jardim
que não maculem a beleza de tubo-de-ensaio
a beleza construída com toda a coerência possível do capital ou do não-capital
às urtigas o esgoto ou os herbicidas...
a doce praga
inocentemente daninha
o sentimento pleno, desprezível
o ódio é a sua natureza
que cresce pelas paredes se alimentando do sangue dos tijolos...
eu, que não as sei de nada, me aproprio... a poesia é um sentimento hipócrita...
o café um sentimento miserável...
segunda-feira, 29 de março de 2010
demônio do leite azedo
perguntei ao meu criado esta tarde que sentia... este tolo insolente que suspende meu corpo em um andor... “sinto-me mal com demasiada freqüência para sentir-me bem” me retruca “se o agrada, sinto-me mal definitivamente”... oras mas que manifestação a me por em estado de nervos... chamei-o bacilo! isto que ele é! um bacilo insolente... em outra hora lhe pergunto... que seria a causa essa de sua agonia? “pois sinto dores nas costas... e minha bile se põe como um inferno a cada meia hora” me retruca “o senhor, pois, tem estado a se revirar durante as caminhadas... deve ser o cheiro acre da cidade”... mas isso também a me por em estado de nervos... pois é um vadio! um Judas que tenta me subverter a dar-lhe folgas e regalias! Já não basta os subsídios que tem, a estada no chalé onde nem ele ou a família tem expensas além do que comem... age como um rato... de noite corre até a beira do pântano com seus fumos a cultivar um demônio nas narinas... e chora, cai como criança as margens do lodo imundo, já o vi, penso que pragueja com seu pranto a tudo, deve ser ateu inclusive... o pergunto no outro dia que fazia lá “são meus entes que me chamam” retruca “aqueles que me trouxeram ao mundo e outros desde seu esquecimento”... esse índio, esse criado que eu tenho... sua pele é suja como lama... parece branco, mas não me engana, há imundice metida nos seus pelos... esse criado... esse que eu tenho... é um algoz... letrado e escriba, vive a rabiscar quando não lhe repreendo... é odioso, vejo em seus olhos... é daqueles que nasceu junto com os bezerros e saiu de lá... ainda tem na memória como se mata um boi... vai me encontrar dormindo na cadeira de balanço e me matar enquanto durmo... fazer magia com meu sangue... meu criado... esse que eu tenho... ao fim do ano compro um carro a motor... mando matá-lo logo após em um domingo de missa... quando for curar sua lascívia... antes que me jogue numa vala... esse... esse que carrega meu andor... com seus olhos de perfídia...
sábado, 20 de março de 2010
tricô de poncho azul
gravei na minha pele um desenho que era teu
com talho de agulha e ferro quente me marquei de ti
no pulso, entre minhas linhas, acima, pelo braço e pelas mãos
acima, no pescoço, acima, nos dedos
nas pontas dos dedos entrando pelos ossos, entrando pelos nervos
e o ferro que me corre nas veias se formou em pedras na garganta nos olhos e estômago
cuspi e bebi sangue
gravei na parede um desenho que era teu
com pequenas linhas de dedos insone
o mofo e a borra do cinzeiro me fizeram as sombras
na imagem do teu choro que expia e cessa e esquece
na imagem do teu choro o meu a ferro forma pedras
cuspi e bebi a bile nauseada da minha ânsia que corria pelos olhos sem cessar nem esquecimentos
numa expiação que transborda e se mata em brasa fria
pra que não de todo morra e se erga
e se jogue novamente
hoje senti que tu se foi... o pensamento me enlouquece...
com talho de agulha e ferro quente me marquei de ti
no pulso, entre minhas linhas, acima, pelo braço e pelas mãos
acima, no pescoço, acima, nos dedos
nas pontas dos dedos entrando pelos ossos, entrando pelos nervos
e o ferro que me corre nas veias se formou em pedras na garganta nos olhos e estômago
cuspi e bebi sangue
gravei na parede um desenho que era teu
com pequenas linhas de dedos insone
o mofo e a borra do cinzeiro me fizeram as sombras
na imagem do teu choro que expia e cessa e esquece
na imagem do teu choro o meu a ferro forma pedras
cuspi e bebi a bile nauseada da minha ânsia que corria pelos olhos sem cessar nem esquecimentos
numa expiação que transborda e se mata em brasa fria
pra que não de todo morra e se erga
e se jogue novamente
hoje senti que tu se foi... o pensamento me enlouquece...
terça-feira, 9 de março de 2010
na noite vermelho e cinza
subir muito alto
subir, correr, transmutar em luz no infinito das estepes
cair, cair em si, cair delirante em si fora de si
enjôo e orgasmos
epiléptico de gozo em convulsão, convulsiona em enjôo, espasmo
da serpente farpada que me abraça e me fere os nervos
da serpente cruel e farpada que me sai das entranhas e arrasta meus dedos pela pele
ontem encontrei um pardal... ele me disse "vai-te quebrar as costas com o tempo"
sufoquei-o no estômago "antes disso um anjo de chumbo ascende aos céus com meus miolos"
subir, correr, transmutar em luz no infinito das estepes
cair, cair em si, cair delirante em si fora de si
enjôo e orgasmos
epiléptico de gozo em convulsão, convulsiona em enjôo, espasmo
da serpente farpada que me abraça e me fere os nervos
da serpente cruel e farpada que me sai das entranhas e arrasta meus dedos pela pele
ontem encontrei um pardal... ele me disse "vai-te quebrar as costas com o tempo"
sufoquei-o no estômago "antes disso um anjo de chumbo ascende aos céus com meus miolos"
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
tarde e cigarros na esquina
me deprime o cheiro do capim cortado à máquina
me deprime toda essa morte, toda essa merda e essa porcaria e essas máquinas
e o cheiro, o cheiro me invade como um animal
começo a correr em campos em meia luz da manhã nascendo
quadrúpede, sem saber da vida ou de mim ou do que virá
onde ir? onde ir? que fazer? que ser?
e o cheiro do capim cortado a galope
e toda essa morte, essa merda, essa vida...
com a ânsia latente e o desejo contido
e o desejo contido violentamente por uma besta, um golpe que resvala no sangue e se entranha nos intestinos abrindo talhos na alma pra que se sinta um corpo...
e essa ânsia e essa vontade e esse impulso de não ser, não ser um corpo, não ser um tempo, não ser a vida e a decrepitude da vida e fugir, fugir prum campo em meia luz da manhã, longe de toda essa morte, essa merda, essa porcaria...
num gozo cheio de cheiros doces e macios que cai à morte e exaure os músculos e mói a carne e os ossos e as entranhas deixando jogado imóvel e dilacerado o corpo pra que a alma e o amor e o sexo possam evaporar sublimes e encontrar um ao outro mortos e além da vida...
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
quarto
tentei alcançar a lua e a comi
um estranho enevoado a tirou de mim
olhei-o nos olhos escuros
tive medo de todo esse mau instinto, essa ingenuidade medíocre que me corre nas veias...
olhei-a, os braços estendidos ao céu acima das estrelas...
caí ao chão
sua imagem branca de brilho chuvoso borrava meus olhos e apagou tudo que eu tinha
ah... que prazer em desmanchar como uma aquarela...
e o brilho branco quase cego que me olhava e me transformava em ninguém, um indigente amorfo
a noite como um betume que tingia tudo de uma madeira triste
ela envolta no lençol vermelho que eu fiz
caí no chão
um gosto de gasolina e borracha preta
e esse estranho borrado que me persegue
um estranho enevoado a tirou de mim
olhei-o nos olhos escuros
tive medo de todo esse mau instinto, essa ingenuidade medíocre que me corre nas veias...
olhei-a, os braços estendidos ao céu acima das estrelas...
caí ao chão
sua imagem branca de brilho chuvoso borrava meus olhos e apagou tudo que eu tinha
ah... que prazer em desmanchar como uma aquarela...
e o brilho branco quase cego que me olhava e me transformava em ninguém, um indigente amorfo
a noite como um betume que tingia tudo de uma madeira triste
ela envolta no lençol vermelho que eu fiz
caí no chão
um gosto de gasolina e borracha preta
e esse estranho borrado que me persegue
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